O açude, os peixes e a biomassa aquática

Temos um açude de bom tamanho em nossa zona 2, há cerca de 30m da casa. Quando chegamos em Igatu este açude estava tomado de braquiárias e com nível d’água reduzido, devido a ruptura da taipa em um evento chuvoso de 2008. Além disso, vizinhos antigos nos repassaram a informação de que os peixes morriam congelados no inverno e também por falta de oxigênio na água. Ambas situações fazem sentido, pois temos temperaturas negativas no inverno e o açude é abastecido por duas sugências em seu leito, oriundas de águas  subterrâneas, que contém pouco oxigênio dissolvido. Dentro deste cenário, esvaziamos o açude, instalamos um ladrão de fundo que não chegava a drenar o açude totalmente e tentamos controlar as braquiárias com a roçadeira, mas sem sucesso.

Foi então que decidimos por uma ação mais agressiva, intervir com retro-escavadeira para instalar um ladrão de base, capaz de drenar o açude e criar um passeio em volta do mesmo para inserção de mudas frutíferas. Adicionalmente, aproveitamos a ação da retro-escavadeira para raspar o lodo do fundo para ser usado nos canteiros da mandala presente na zona 1 e para abrir a vala da Bacia de Evapo Tranpiração.

Logo após a reforma do açude, introduzimos alevinos de carpa e tilápia, espécies disponíveis em uma compra coletiva organizada pela extensão rural em nosso município. Nossos 400m2 de área de açude poderiam receber até 400 alevinos sugeridos pela Epagri, mas optamos por trabalhar com 90, pois a intenção seria de deixar os peixes buscarem alimento por conta própria.

Detalhe da Salvinia auriculata
Detalhe da Salvinia auriculata.

Seguido dos alevinos, introduzimos um espécie de planta aquática, a Salvinia auriculata, para geração de biomassa e posterior utilização como cobertura morta nos canteiros da zona 1. Além dessa função, com o passar do tempo percebemos que a planta passou a servir de alimento para os peixes, sobretudo para a tilápia e também como regulador térmico, tanto para dias frios como para quentes, mantendo menor a amplitude de temperaturas. Assim esta planta atendeu duas necessidades.

Theo coordenando os trabalhos de remoção das plantas e seu estoque na margem.
Theo coordenando os trabalhos de remoção das plantas e seu estoque na margem.

A falta de oxigênio foi vencida com a instalação de uma mangueira que deságua por gravidade as águas excedentes do reservatório de abastecimento da casa, por meio um ladrão de nível. Este mesmo ladrão do reservatório também nos avisa se houve interrupção no abastecimento de água, que é captada no riacho que define o limite sul de Igatu.

Passados 1 ano da inserção dos alevinos, vemos agora o aparecimento de duas novas gerações. As tilápias continuam mantendo a Salvinia auriculata como dieta, principalmente a porção das raízes que ficam coalhadas de nutrientes. Já as carpas, seguem comendo a braquiária e mantendo a sua proliferação controlada. Mesmo a braquiária sendo uma espécie bastante invasora, uma vez controlada, ela passa a servir como elemento estabilizador de margens, sobretudo a da taipa do açude. Após a reforma do açude não foram verificados processos de ingestão de solos de margens pelas carpas, evitando-se, assim, uma possível ruptura de taipa, muito verificada em condições de superpopulação.

A pescaria a nossa alimentação. Mais uma das funções do açude.
A pescaria, o lazer e a nossa alimentação. Mais algumas funções do açude.

Muito em nosso município consideram a Salvinia auriculata um problema, uma praga, pois é invasora. Este caráter invasor é na verdade um grande trunfo, pois se visto de forma oportuna, possibilita fertilidade e proteção aos solos de cultivo.

No último verão podemos aproveitar o sucesso do casamento de elementos dentro da zona 2 e pescamos alguns peixes em companhia dos sempre amigos Zé paulo e Simone.

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