Natureza e Arte

O Sítio Igatu, indo além da produção de alimentos e da agroecologia. Enfim, o Sítio fazendo arte em todos os sentidos.

Lembram-se do Urucum que apresentamos na postagem anterior?

Eis aqui o resultado do seu fruto.

Aqui temos cores oriundas do abacate, do urucum, do açafrão e de solos.

Oficina de tintas da natureza Maio/2019

 

Sítio Igatu e Feira Arte e Sabor

Na permacultura temos as estruturas invisíveis, as quais tiveram um grande papel neste último ano (2018) no Sítio Igatu.

A Feira Arte e Sabor é uma grande parceira nas atividades do Sítio Igatu. Aqui podemos oferecer alimentos que produzimos e atividades que desenvolvemos no Sítio Igatu.

Em parceria com os Sítios Nama Kripa, Sítio da Cida, Delícias da Roça, Sítio Cantinho dos Sonhos, Sítio Nossa Senhora de Fátima e Casa do Agricultor, podemos apresentar ao público os alimentos do grupo da agricultura familiar de São Pedro de Alcântara.

Neste trabalho temos muita cooperação e entusiasmo dos participantes, todos dispostos a mostrar que é possível a cooperação com sucesso.

IMAG1302_editimagem_com_atividades_da_feiraAtividades lúdicas com as crianças.

Agroecologia no Sítio

Após 5 anos, eis que temos aqui nosso alimento, despretensiosamente plantado, acreditando que seria difícil sua frutificação. Toda planta inserida em um local com esperança e acreditando em seu equilíbrio, assim como uma criança, é possível seu desenvolvimento.

urucum_flor_01_2019Urucum em flor

 

Frutourucum_fruto_01_2019Fruto do Urucum – abril de 2019.

Família: Bixaceae

Nome científico: Bixa orellana L.

(Urucum)

Origem: América Tropical

Atualizações

Como todos podem observar, ficamos um bom período sem postarmos. Novos momentos, novas parcerias, enfim, só coisas boas.

Neste último ano houve uma ótima evolução em termos de parcerias com o Sítio Igatu. Até 2017 trabalhávamos timidamente basicamente apenas eu (Grasi), Arthur e Jane no Sítio.

Entre os encontros da vida, tivemos a oportunidade de conhecermos pessoas com propósitos semelhantes aos nossos. Juca, Dodo e Vera, Silvana, Valdeci Canova, Annemarie and Graham Brookman, Eurico, Felipe e atualmente nosso grupo de agricultores  familiares de São Pedro de Alcântara, os amigos, Cida, Alice, Alexandre, Renata, Sérgio, Cris, Elisa, Dona Zenaide, Luiz, Aditi, Botica do Sítio. Sabem aquela história de cooperação em ecologia? Pois é, estamos vivendo intensamente a cooperação.

A Feira Arte e Sabor de São Pedro de Alcântara, a qual apresentávamos os alimentos do Sítio, após nosso retorno de nossa super aventura neste mundão, havia passado por uma reestruturação e quando voltamos havia então uma única banca com alimentos da agricultura familiar, então nossa amiga Cida, estava nela para representar a agricultura familiar de São Pedro de Alcântara. Instantaneamente, passei a auxiliar nossa Amiga Cida nas feiras.

Passaram-se alguns meses e pensei, podemos ter algo a mais.

A partir das Ciências Naturais que fazem parte do cotidiano de nosso Sítio, pensamos, vamos reacender a Banca da Sustentabilidade. E a partir de então fizemos essa parceria com a Feira Arte e Sabor de São Pedro de Alcântara, que vem a cada edição, só melhorando. O mundo das Ciências Naturais com a Arte vem tomando uma dimensão no cotidiano do Sítio Igatu que estamos adorando e esta alegria tem se estendido aos pequenos que vão à feira e consequentemente aos seus pais.

E assim vamos divulgando nossas atividades, só que agora, com 2 parceiros mais que especiais.

Viver em meio a natureza e alegrar a vida com Arte (música, dança, construções, imaginações) é um bom meio para se viver em paz, em equilíbrio.

Professores da Escola Gama Rosa visitam Igatu

Na última semana o Sítio Igatu recebeu a visita de um grupo de professores da Escola Gama Rosa para uma oficina de educação ambiental com base na permacultura. O grupo de professores teve a oportunidade de aprender sobre conceitos básicos da permacultura, bem como, compreender melhor sobre como essa ciência sistêmica planeja ambientes produtivos em harmonia com a natureza.

Após a apresentação das atividades do sítio, uma dinâmica de grupo foi realizada para estimular os professores a criar um projeto de ciência, que vise a sustentabilidade e a proteção ambiental junto a Escola.

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Professores junto a horta mandala na Zona 1 de Igatu.

A iniciativa de trazer os professores para a visita partiu da direção da Escola, depois de serem realizadas algumas palestras sobre usos corretos da águas e formas de tratamento ecológico para efluentes domésticos. Na ocasião, O Sítio Igatu recebeu a visita de uma professora e dois alunos, que após receberem as informações acerca de como é feito o manejo de águas no sítio, buscaram replicar as mesmas para as turmas do ensino fundamental e através de um vídeo Gama Rosa Sustentável.

Ainda dentro das atividades propostas pela Escola, foram realizadas mais duas palestras envolvendo o tema autossuficiência e sustentabilidade, onde então, educandos do ensino médio, puderam exercitar a aplicação de conceitos e conteúdos das diferentes disciplinas do currículo escolar, na autogestão de águas.

Sítio Igatu é apresentado em PDC na Austrália

A história do Sítio Igatu se confunde com a do Núcleo de Estudos em Permacultura da UFSC (NEPerma). O sítio iniciou suas atividades em 2011 para ser um local de testes e ensaios de tecnologias sociais aplicadas ao planejamento em permacultura e, com o tempo, passou a ser informalmente o laboratório de experiências que provém conteúdo à disciplina “Introdução à permacultura”, ofertada desde 2012 pelo NEPerma dentro curso de Geografia da UFSC. Em 2013, as ações de pesquisa e extensão do NEPerma passaram também a considerar a área do Sítio Igatu como espaço demostrativo, oferecendo aos participantes de cursos, um espaço para praticar e reforçar os conhecimentos compartilhados em sala de aula.

Essa história foi contada através da palestra “Permaculture in southern Brazil”, que foi apresentada no Curso de Planejamento em Permacultura (PDC), oferecido no mês de novembro de 2017 pelo Centro de Aprendizado em Permacultura Food Forest, sediado na cidade Gawler no estado da Austrália do Sul. O centro é uma referência em permacultura na Austrália, que acumula mais de 30 anos de experiência da família Brookman.

Na palestra, Arthur Nanni apresentou como é pensado o planejamento em permacultura no Sítio, revelando as estratégias de desenvolvimento de baixo impacto em climas úmidos subtropicais, como os que são registrados na grande Florianópolis.

Arthur e David
Instrutores do PDC na fazenda Food Forest na Austrália. A oportunidade para conhecer David Holmgren, um dos mentores do conceito de permacultura.

O PDC oferecido pelos Brookman segue o currículo internacionalmente reconhecido, que certifica os participantes como permacultores, tal como faz o NEPerma em sua disciplina. O curso contou com a participação de mais de 10 instrutores em permacultura, que contribuíram de forma plural para enriquecer esta formação. Um dos destaques do curso, foi a participação de David Holmgren, cocriador do conceito de permacultura, reconhecido mundialmente por seus livros, que são frutos de muita bagagem teórica e prática.

Texto original do site do NEPerma/UFSC com modificações de Arthur Nanni

PDC para academia visita Igatu

Em atividade do Núcleo de Estudos em Permacultura da UFSC (NEPerma/UFSC), o Sítio Igatu recebeu no dia 19 de julho um grupo de docentes em formação básica de permacultura, através do 1º PDC para academia.

A proposta da visita foi uma prática de reconhecimento de zonas energéticas, das conexões interzonas e os elementos no espaço planejando.

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Docentes em formação visitando a zona 2 em Igatu.

Além dessa abordagem, os participantes puderam entender melhor o manejo permacultural do espaço e a otimização dos recursos naturais energéticos, com ênfase para a sistematização de águas na propriedade rural.

O Sítio Igatu é uma área experimental em métodos e técnicas da permacultura, que atua em parceria com o NEPerma/UFSC. Com ações voltadas a educação ambiental e o treinamento em permacultura, o sítio recebe visitações de grupos sob agendamento.

Você tem vontade de conhecer essa proposta? Entre em contato conosco – sitioigatu@gmail.com

 

Zonas energéticas em Igatu

No sítio Igatu as zonas energéticas de 0 a 5 propostas pela permacultura seguem à risca o tempo despendido para manejo de cada área e seus elementos.

O sítio possui 2,5Ha onde são manejados nas zonas de 0 a 4 apenas 1,0Ha. O restante da área (1,5Ha) corresponde a porção de floresta preservada (zona 5) cuja a principal função é a produção de águas.

A casa representa a Zona 0, onde passamos a maior parte do tempo. É daqui que partem as ideias de planejamento e manejo do sítio.

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Zonas energéticas em Igatu. Olhando-se de Oeste para Leste. Foto obtida em 2016.

Envolvendo a casa está a Zona 1, onde produzimos alimentos de ciclo curto, tratamos nossos efluentes, estocamos nossa lenha, ferramentas, compostamos nossos resíduos orgânicos e cultivamos plantas bebês no viveiro.

Logo após temos a Zona 2, que compreende o açude e seu entorno. Nessa zona há a criação de peixes e o cultivo de biomassa vegetal aquática, que é utilizada para adubo nos canteiros da horta mandala da Zona 1. O  açude é também a grande estrela do verão, quando os banhos são corriqueiros.

Envolvendo o açude e também a Zona 1, está a Zona 3, que compreende Sistemas Agroflorestais que preenchem áreas de encosta voltadas para Oeste, Leste e Sul, compreendendo também as margens de um córrego que limita uma de nossas extremas.

Indo em direção a Leste está a Zona 4, que é constituída de árvores plantadas de eucalipto e espontâneas utilizadas para lenha (biomassa) e fornecimento de madeira para mourões, colunas, etc.

Um pouco mais a Leste encontra-se a Zona 5, que compreende a floresta atlântica preservada e onde temos a captação de águas do sítio. Um circuito de trilhas nessa Zona permite ver como funciona a floresta e de onde parte da cidade de São Pedro de Alcântara capta suas águas de abastecimento público.

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Zonas energéticas em Igatu da perspectiva de Sudoeste para Nordeste. Foto obtida em 2014.

 

 

O açude, os peixes e a biomassa aquática

Temos um açude de bom tamanho em nossa zona 2, há cerca de 30m da casa. Quando chegamos em Igatu este açude estava tomado de braquiárias e com nível d’água reduzido, devido a ruptura da taipa em um evento chuvoso de 2008. Além disso, vizinhos antigos nos repassaram a informação de que os peixes morriam congelados no inverno e também por falta de oxigênio na água. Ambas situações fazem sentido, pois temos temperaturas negativas no inverno e o açude é abastecido por duas sugências em seu leito, oriundas de águas  subterrâneas, que contém pouco oxigênio dissolvido. Dentro deste cenário, esvaziamos o açude, instalamos um ladrão de fundo que não chegava a drenar o açude totalmente e tentamos controlar as braquiárias com a roçadeira, mas sem sucesso.

Foi então que decidimos por uma ação mais agressiva, intervir com retro-escavadeira para instalar um ladrão de base, capaz de drenar o açude e criar um passeio em volta do mesmo para inserção de mudas frutíferas. Adicionalmente, aproveitamos a ação da retro-escavadeira para raspar o lodo do fundo para ser usado nos canteiros da mandala presente na zona 1 e para abrir a vala da Bacia de Evapo Tranpiração.

Logo após a reforma do açude, introduzimos alevinos de carpa e tilápia, espécies disponíveis em uma compra coletiva organizada pela extensão rural em nosso município. Nossos 400m2 de área de açude poderiam receber até 400 alevinos sugeridos pela Epagri, mas optamos por trabalhar com 90, pois a intenção seria de deixar os peixes buscarem alimento por conta própria.

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Detalhe da Salvinia auriculata

Seguido dos alevinos, introduzimos um espécie de planta aquática, a Salvinia auriculata, para geração de biomassa e posterior utilização como cobertura morta nos canteiros da zona 1. Além dessa função, com o passar do tempo percebemos que a planta passou a servir de alimento para os peixes, sobretudo para a tilápia e também como regulador térmico, tanto para dias frios como para quentes, mantendo menor a amplitude de temperaturas. Assim esta planta atendeu duas necessidades.

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Theo coordenando os trabalhos de remoção das plantas e seu estoque na margem.

A falta de oxigênio foi vencida com a instalação de uma mangueira que deságua por gravidade as águas excedentes do reservatório de abastecimento da casa, por meio um ladrão de nível. Este mesmo ladrão do reservatório também nos avisa se houve interrupção no abastecimento de água, que é captada no riacho que define o limite sul de Igatu.

Passado 1 ano da inserção dos alevinos, vemos agora o aparecimento de duas novas gerações. As tilápias continuam mantendo a Salvinia auriculata como dieta, principalmente a porção das raízes que ficam coalhadas de nutrientes. Já as carpas, seguem comendo a braquiária e mantendo a sua proliferação controlada. Mesmo a braquiária sendo uma espécie bastante invasora, uma vez controlada, ela passa a servir como elemento estabilizador de margens, sobretudo a da taipa do açude. Após a reforma do açude não foram verificados processos de ingestão de solos de margens pelas carpas, evitando-se, assim, uma possível ruptura de taipa, muito verificada em condições de superpopulação.

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A pescaria a nossa alimentação. Mais uma das funções do açude.

Muito em nosso município consideram a Salvinia auriculata um problema, uma praga, pois é invasora. Este caráter invasor é na verdade um grande trunfo, pois se visto de forma oportuna, possibilita fertilidade e proteção aos solos de cultivo.

No último verão podemos aproveitar o sucesso do casamento de elementos dentro da zona 2 e pescamos alguns peixes em companhia dos sempre amigos Zé paulo e Simone.

Alunos da UFSC visitam Igatu.

Turma percorrendo o Sistema Agroflorestal implantado na zona 3.
Turma percorrendo o Sistema Agroflorestal implantado na zona 3.

Alunos do Curso de Planejamento Permacultural da UFSC visitaram o sítio para prática dos ensinamentos teóricos.

Foram abordadas as relações entre zonas de planejamento e realizada uma oficina de montagem de uma espiral de ervas no centro da horta mandala.

A visita é parte curricular da disciplina Introdução à Permacultura, ofertada semestralmente por professores da UFSC ligados aos cursos de história, geografia, agronomia, biologia, agronomia e engenharia ambiental.

O Sítio Igatu é parceiro desta iniciativa e pode ser considerado como uma laboratório de ensino prático onde as experiências podem ser vividas e compreendidas.

Que venham as próximas turmas, a porteira estará aberta.