Bomba de sementes e o açude

Dia de fazer bolas de sementes para tentar colonizar a volta do açude com goiabeiras, araticuns, feijões, mucuna e vai longe a lista. O uso de bolas de sementes é uma técnica antiga que prevê fazer bolas de barro com sementes imersas e, junto, um pouco de esterco para adubar. Com o tempo e, expostas ao tempo, as bolas irão se decompor e, com sorte, as sementes irão brotar.

Nessa época de coleta de frutos é comum juntarmos as frutas que estão no chão e lançarmos para os peixes no açude. Assim, veio a ideia de tentar colonizar as suas margens, para no futuro fazer com que os frutos muito maduros caiam diretamente na água, facilitando nosso serviço. Com isso são aplicados claramente dois princípios de planejamento da permacultura – Observe e interaja – a medida em que a natureza nos mostra sua fartura da época e estamos interagindo com o meio, facilitando a chegada do alimento nos próximos elementos, que são os cardumes e – Use e valorize os serviços naturais renováveis – onde entra o ciclo anual de frutificação e o engorde dos peixes para posterior consumo.

Escolhi a técnica para a volta do açude, pois a mesmo tem braquiárias como espécie invasora em suas margens. A braquiária é o alimento das carpas capim. Assim, as margens do açude são sempre mantidas com uma faixa de 1 metro de largura para deixar a que a mesma se desenvolva, pese e caia sobre o espelho d’água, ficando na posição correta para servir de alimento às carpas. Dessa forma, por não ser roçada, a margem poderá servir para hospedar as espécies arbóreas. A alimentação das tilápias é feita a partir de uma planta aquática Salvinia auriculata e o processo está aqui descrito.

Aliado a isso, nessa época, estamos processando poupa de goiaba e temos no momento muitas sementes oriundas desse processamento. Assim, se obtiver êxito na empreitada, as sementes brotarão nas bolas de barro adubadas e poderão se desenvolver junto com a braquiária.

O processo de preparação das bolas de semente envolveu o uso de resíduo da preparação das poupas, que foi misturado com barro, esterco, outras sementes e, claro, água. A preparação tomou 2 horas e a dispersão nas margens do açude mais uns minutos, que são mostrados em 35 segundos no vídeo em lapso de tempo abaixo.

Preparando as bolas de sementes.

Semana do Meio Ambiente 2019

Aproveitando a Semana do Meio Ambiente, o Sítio Igatu promoveu a Oficina, O Caminho das Águas, na Feira Arte e Sabor de São Pedro de Alcântara.

De forma lúdica, utilizando os materiais disponíveis no local, foi possível realizar uma bela oficina, que aguçou  a criatividade das crianças. Enquanto aprendiam sobre a importância das águas e das florestas, desenvolviam o circuito das águas, desde os topos dos morros até o momento da chegada ao mar. Uma atividade envolvendo arte e educação, aqui as crianças desenvolviam a observação sobre um sistema natural, que estava englobando interações ecológicas, biologia, geografia, enfim, as ciências naturais, e assim, proporcionando novos conhecimentos para as crianças, uma outra forma de enxergar as interações existentes. E o mais interessante é que começou com poucas crianças e aos poucos foram se reunindo, como se o trabalho de um fosse contagiando a curiosidade do outro, e assim, podemos perceber nossa essência, de nos juntarmos em bandos com objetivos em comum, uma característica que marca nossa história como humanos.

 

 

Natureza e Arte

O Sítio Igatu, indo além da produção de alimentos e da agroecologia. Enfim, o Sítio fazendo arte em todos os sentidos.

Lembram-se do Urucum que apresentamos na postagem anterior?

Eis aqui o resultado do seu fruto.

Aqui temos cores oriundas do abacate, do urucum, do açafrão e de solos.

Oficina de tintas da natureza Maio/2019

 

Sítio Igatu e Feira Arte e Sabor

Na permacultura temos as estruturas invisíveis, as quais tiveram um grande papel neste último ano (2018) no Sítio Igatu.

A Feira Arte e Sabor é uma grande parceira nas atividades do Sítio Igatu. Aqui podemos oferecer alimentos que produzimos e atividades que desenvolvemos no Sítio Igatu.

Em parceria com os Sítios Nama Kripa, Sítio da Cida, Delícias da Roça, Sítio Cantinho dos Sonhos, Sítio Nossa Senhora de Fátima e Casa do Agricultor, podemos apresentar ao público os alimentos do grupo da agricultura familiar de São Pedro de Alcântara.

Neste trabalho temos muita cooperação e entusiasmo dos participantes, todos dispostos a mostrar que é possível a cooperação com sucesso.

IMAG1302_editimagem_com_atividades_da_feiraAtividades lúdicas com as crianças.

Agroecologia no Sítio

Após 5 anos, eis que temos aqui nosso alimento, despretensiosamente plantado, acreditando que seria difícil sua frutificação. Toda planta inserida em um local com esperança e acreditando em seu equilíbrio, assim como uma criança, é possível seu desenvolvimento.

urucum_flor_01_2019Urucum em flor

 

Frutourucum_fruto_01_2019Fruto do Urucum – abril de 2019.

Família: Bixaceae

Nome científico: Bixa orellana L.

(Urucum)

Origem: América Tropical

Atualizações

Como todos podem observar, ficamos um bom período sem postarmos. Novos momentos, novas parcerias, enfim, só coisas boas.

Neste último ano houve uma ótima evolução em termos de parcerias com o Sítio Igatu. Até 2017 trabalhávamos timidamente basicamente apenas eu (Grasi), Arthur e Jane no Sítio.

Entre os encontros da vida, tivemos a oportunidade de conhecermos pessoas com propósitos semelhantes aos nossos. Juca, Dodo e Vera, Silvana, Valdeci Canova, Annemarie and Graham Brookman, Eurico, Felipe e atualmente nosso grupo de agricultores  familiares de São Pedro de Alcântara, os amigos, Cida, Alice, Alexandre, Renata, Sérgio, Cris, Elisa, Dona Zenaide, Luiz, Aditi, Botica do Sítio. Sabem aquela história de cooperação em ecologia? Pois é, estamos vivendo intensamente a cooperação.

A Feira Arte e Sabor de São Pedro de Alcântara, a qual apresentávamos os alimentos do Sítio, após nosso retorno de nossa super aventura neste mundão, havia passado por uma reestruturação e quando voltamos havia então uma única banca com alimentos da agricultura familiar, então nossa amiga Cida, estava nela para representar a agricultura familiar de São Pedro de Alcântara. Instantaneamente, passei a auxiliar nossa Amiga Cida nas feiras.

Passaram-se alguns meses e pensei, podemos ter algo a mais.

A partir das Ciências Naturais que fazem parte do cotidiano de nosso Sítio, pensamos, vamos reacender a Banca da Sustentabilidade. E a partir de então fizemos essa parceria com a Feira Arte e Sabor de São Pedro de Alcântara, que vem a cada edição, só melhorando. O mundo das Ciências Naturais com a Arte vem tomando uma dimensão no cotidiano do Sítio Igatu que estamos adorando e esta alegria tem se estendido aos pequenos que vão à feira e consequentemente aos seus pais.

E assim vamos divulgando nossas atividades, só que agora, com 2 parceiros mais que especiais.

Viver em meio a natureza e alegrar a vida com Arte (música, dança, construções, imaginações) é um bom meio para se viver em paz, em equilíbrio.

Professores da Escola Gama Rosa visitam Igatu

Na última semana o Sítio Igatu recebeu a visita de um grupo de professores da Escola Gama Rosa para uma oficina de educação ambiental com base na permacultura. O grupo de professores teve a oportunidade de aprender sobre conceitos básicos da permacultura, bem como, compreender melhor sobre como essa ciência sistêmica planeja ambientes produtivos em harmonia com a natureza.

Após a apresentação das atividades do sítio, uma dinâmica de grupo foi realizada para estimular os professores a criar um projeto de ciência, que vise a sustentabilidade e a proteção ambiental junto a Escola.

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Professores junto a horta mandala na Zona 1 de Igatu.

A iniciativa de trazer os professores para a visita partiu da direção da Escola, depois de serem realizadas algumas palestras sobre usos corretos da águas e formas de tratamento ecológico para efluentes domésticos. Na ocasião, O Sítio Igatu recebeu a visita de uma professora e dois alunos, que após receberem as informações acerca de como é feito o manejo de águas no sítio, buscaram replicar as mesmas para as turmas do ensino fundamental e através de um vídeo Gama Rosa Sustentável.

Ainda dentro das atividades propostas pela Escola, foram realizadas mais duas palestras envolvendo o tema autossuficiência e sustentabilidade, onde então, educandos do ensino médio, puderam exercitar a aplicação de conceitos e conteúdos das diferentes disciplinas do currículo escolar, na autogestão de águas.

Sítio Igatu é apresentado em PDC na Austrália

A história do Sítio Igatu se confunde com a do Núcleo de Estudos em Permacultura da UFSC (NEPerma). O sítio iniciou suas atividades em 2011 para ser um local de testes e ensaios de tecnologias sociais aplicadas ao planejamento em permacultura e, com o tempo, passou a ser informalmente o laboratório de experiências que provém conteúdo à disciplina “Introdução à permacultura”, ofertada desde 2012 pelo NEPerma dentro curso de Geografia da UFSC. Em 2013, as ações de pesquisa e extensão do NEPerma passaram também a considerar a área do Sítio Igatu como espaço demostrativo, oferecendo aos participantes de cursos, um espaço para praticar e reforçar os conhecimentos compartilhados em sala de aula.

Essa história foi contada através da palestra “Permaculture in southern Brazil”, que foi apresentada no Curso de Planejamento em Permacultura (PDC), oferecido no mês de novembro de 2017 pelo Centro de Aprendizado em Permacultura Food Forest, sediado na cidade Gawler no estado da Austrália do Sul. O centro é uma referência em permacultura na Austrália, que acumula mais de 30 anos de experiência da família Brookman.

Na palestra, Arthur Nanni apresentou como é pensado o planejamento em permacultura no Sítio, revelando as estratégias de desenvolvimento de baixo impacto em climas úmidos subtropicais, como os que são registrados na grande Florianópolis.

Arthur e David
Instrutores do PDC na fazenda Food Forest na Austrália. A oportunidade para conhecer David Holmgren, um dos mentores do conceito de permacultura.

O PDC oferecido pelos Brookman segue o currículo internacionalmente reconhecido, que certifica os participantes como permacultores, tal como faz o NEPerma em sua disciplina. O curso contou com a participação de mais de 10 instrutores em permacultura, que contribuíram de forma plural para enriquecer esta formação. Um dos destaques do curso, foi a participação de David Holmgren, cocriador do conceito de permacultura, reconhecido mundialmente por seus livros, que são frutos de muita bagagem teórica e prática.

Texto original do site do NEPerma/UFSC com modificações de Arthur Nanni